Ref. Ação do Conselho de Segurança no sentido de cessarem
todas as sanções contra o Iraque e proibir os Estados Unidos e o Reino
Unido de bombardearem o Iraque.
Senhores membros do Conselho de Segurança,
Continua o genocídio no Iraque causado pelas sanções do Conselho de Segurança forçadas pelos Estados Unidos e pelos bombardeios sobre o Iraque por aviões e mísseis dos Estados Unidos. Uma pesquisa a nível nacional feita por 50 cidadãos americanos no Iraque, na minha décima primeira visita ao Iraque desde que as sanções foram impostas em 6 de agosto de 1990, confirma que as mortes causadas pelas sanções aumentaram pelo décimo ano consecutivo, embora a taxa de aumento tenha caído. As condições gerais de saúde continuam a piorar, embora a disponibilidade de alimentos e medicamentos tenha aumentado ligeiramente. Aparentemente isso se deve aos efeitos cumulativos de uma década inteira de privações.
Outra preocupação com saúde inclui as crescentes taxas de aumento de câncer, maior entre os jovens, que o povo do Iraque e os profissionais do sistema de saúde acreditam serem conseqüência do urânio esgotado de quase 1 milhão de bombas de DU (depleted uranium) lançadas sobre o Iraque pelos Estados Unidos nos primeiros meses de 1991 e o provável uso dessas bombas de DU desde então. Entre os muitos exemplos que encontramos dessa preocupação estão as declarações que me fez o Arcebispo da Igreja Católica de Basra, Monsenhor Djibrael Kassab, de que a pequena população católica da sua diocese testemunhou recentemente três nascimentos de bebês com deformidades nunca antes vistas, incluindo a ausência de feições faciais e de olhos, o que foi reportado ao Vaticano.
Os sobrevôos constantes com
ataques aéreos contra o Iraque têm continuado, compreendendo
vários ataques por semana com mortos e feridos quase todas as semanas.
As sanções precisam ser completamente eliminadas imediatamente. A cada dia elas continuam a aumentar a lista de mortes do pior genocídio da última década do céculo mais violento da história da humanidade.
Os Estados Unidos, percebendo que a opinião pública
não vai mais tolerar as sanções, estáo procurando receber os
créditos por modificá-las, enquanto o seu propósito é
continuar a controlar a sua implementação e causar o seu re-endurecimento
por supostas violações por parte do Iraque. Sob o pretexto de inspeções
de armas e falsas alegações de violações de armas, os Estados
Unidos têm, sistematicamente, frustrado quaisquer tentativas de afrouxamento
das sanções. Os Estados Unidos têm alegado (e falhado
em provar) uma longa série de violações pelo Iraque,
incuindo falsas alegações de que o Iraque estaria escondendo
alimentos e medicamentos do seu próprio povo, enquanto que, na
verdade, o sistema iraquiano de distribuição e racionamento
tem salvo o seu povo. Eu tenho denunciado, repetidamente, essas mentiras
dos Estados Unidos ao Conselho de Segurança desde que o programa
comida-por-óleo foi iniciado. Apoiado pela recusa do Comitê
de Sanções em aprovar contratos pelo Iraque para a compra
de medicamentos de urgência, alimentos e equipamentos, os Estados
Unidos têm conseguido impedir o afrouxamento das sanções
e vai continuar a assim agir se as mesmas não forem completamente
eliminadas.
Os aviões americanos, ocasionalmente apoiados por aviões do Reino Unido, que atacam alvos no iraque estão cometendo violência criminosa e crimes contra a paz. Aqueles que ordenam os vôos e ataques e os pilotos que executam as ordens cometem atos criminosos que têm causado a morte de centenas de pessoas.
O Conselho de Segurança tem sido conivente com esses atos criminosos sob pressão dos Estados Unidos e, tragicamente, tem aprovado as sanções genocidas contra o Iraque. Ele tem ignorado outros ataques ilegais dos Estados Unidos, incluindo os ataques de surpresa sobre Trípoli e Benghazi, Líbia, em abril de 1986, que mataram centenas de civís e os ataque de 20 mísseis cruise à indústria farmacêutica Al Shifa em Khartoum, Sudão, em agosto de 1998 que provia 50% dos medicamentos disponíveis para o povo do Sudão. Nada poderia ser mais perigoso para a paz mundial.
A nova administração dos Estados Unidos continua a realizar ataques aéreos criminosos ao Iraque e ameaça aumentá-los como alternativa às sanções que parecem ter falhado.
O Conselho de Segurança precisa proclamar os ataques ao Iraque como criminosos que eles são e exigir a sua suspensão.
A raiva crescente e generalizada contra as sanções genocidas e os ataque criminosos ao Iraque vai se transformar em ódio, violência e guerra, a menos que terminem. O propósito primordial das Nações Unidas é impedir o desenvolvimento desse embrião de guerra.
Ramsey Clark
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